O Voadeira Estradeira nasceu um blog sobre viagens (período incrível!). Depois se tornou um breve diário pré-casório e agora está migrando de tema de novo... sobre meus novos projetos literários, e também algo sobre ser mamãe pela primeira vez, sem desprezar as futuras viagens, claro! Muito confuso? Talvez, mas esse é o blog de alguém que escreve, jornalista de formação, atriz de teatro e escritora para o resto da vida. Seja muito bem vindo!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Jornal do Anjo

Conheci Anjo em Angola, em 2011, seu sonho era ser jornalista. Durante o mês que estive lá dei um caderno para ele escrever suas primeiras histórias. O que segue foi o resultado de seus escritos, que transformei em um jornal (que foi entregue a ele pelas mãos do Dan Oliver), que voltou a Angola anos depois. :) Em breve notícias do nosso Anjo! 




Texto 3 - Jornada

                Pressão.
                Preocupações.
                Ansiedades.
                Nem tudo são flores na maternidade.
                Nos desdobramos em novas funções e sofrimentos.
                Mas, não há nada mais arrebatador que virar mãe.
                Descobrimos um amor profundo -  apesar das dores e aflições.
                Nos vemos mais fortes, não por nosso próprio mérito.
                A força vem da necessidade desse ser tão dependente e frágil e indefeso e tão seu..
                Que me foi confiado por obra de Deus.
                Pressão.
                Preocupações.
                Ansiedades.
                Que grande jornada é a maternidade!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Palestra Um Novo Jardim

Foi em agosto, 2015, na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo à convite da querida Mazé. Conversei sobre o processo de criação, escrita e publicação do meu livro com os alunos da E.E Olimpio Catão, do centro de SJC. Pense em um momento bom! o Miguel ainda estava na minha barriga :)
Estou à disposição para conversar sobre o livro e novos projetos. Um dedo de prosa é sempre bom!
karinamuller@yahoo.com.br










segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Texto 3 - Espero

Espero

                De repente não sou mais tão importante.
                Tudo o que é meu pode esperar.
                Há alguém em minha volta, que precisa de mim o tempo todo. Esse ‘alguenzinho’ chegou e ocupou tudo o que existe, tudo ao meu redor.
                Poesia, beleza, entrega, amor incondicional e um enorme e constante cansaço!
                A cabeça divaga nos momentos de sono e tantos sentimentos se misturam.
            Saudade da barriga, vontade de voltar ao trabalho e produzir, medo de que algo dê muito errado e que de repente esse bebezinho recém chegado não esteja mais aqui. Vontade que o tempo voe e o faça crescer logo.
                Ansiedade para descobrir como ele será mais velhinho (com oito meses, por exemplo), seus primeiros passos, sua falinha, seu jeitinho único...
                Soneca de exaustão. Acordo num salto. Mamar de novo.
                Mãe – sou mais uma de tantas no mundo.
                Espero ser o suficiente para o meu pequeno.
                Espero estar aqui até muito tempo mais pra frente.
                Espero vê-lo menino – adolescente – jovem – um homem.
                Espero que ele seja feliz nesse trajeto.
                Espero. Hoje espero tanto! Espero tudo!
                À espera do futuro. Espero ele dormir, acordar, espero a próxima mamada, a outra troca de fralda. Espero acertar!


Texto 2 - Um lugar

                                                                              Um lugar      
Um lugar que chove verde. Folhas secas, corredeira a passar, uma sombra, um quintal.
No varal roupas brancas estendidas brincam com o vento.  A casinha no meio da imensidão viva, verde, molhada, musicada pelos passarinhos. Pedras, pássaros. A vida correndo livre sem hora para terminar. Nesse lugar que chove verde me vejo menina outra vez. Tanta gente querida ao redor. Gente que o tempo levou, mas não hoje.
Hoje, nesse terreiro batido de chão rodeado de paineiras robustas sou outra vez a menina colecionadora de painas em vidros de maionese. Maria trabalhadeira, dentro da casinha, às voltas com o almoço. Tem tanto serviço! Será que um dia parou para ouvir o sabiá?
Um lugar que chove fino. A chuva me alenta – a corredeira me leva para esse lugar chovido de lembranças, de tempos, de lugares. Não é nostalgia. Não era totalmente perfeito - mas nessa terra de paineiras e corredeiras me encontro com as velhas raízes.
Casa velha, parede e meia com outras, todas elas igualzinhas construídas há muito tempo. Terreiro farto, jardim a florescer. Flores azuis, trevinhos úmidos, beijinho de estudante coloridos... Inúmeras florezinhas sem valor. As roseiras, de um rosa desbotado e alegre, crescem às dúzias espinhando doído os desavisados. Também são antigas moradoras daquele jardim.

 A corredeira é canção e vozes brotam de suas águas. A paineira me conta que o tempo passa rápido – talvez ela fique mais, mas eu, menina, moça, mãe ou senhora, muito não vou durar. Aos poucos como Maria, Dito, Zé, Mariinha... Aos poucos vamos apagando com o tempo. Mas, nesse lugar chovido de tudo a corredeira seguirá a passar e, a paineira, lá do alto, robusta, vivida, envelhecida, sofrida pelo vento e pela falta de chuva, vai colecionando outras décadas e a tudo segue a observar.  

Texto 1 - Nascidos

Vou começar a postar alguns textos meus.
Segue o primeiro da série:

Nascidos      
Ideias.
Projetos.
Sonhos traçados em um diário antigo – aspirações de menina.
Quando esse dia chegar...
Quando será?
Será que virá?
Semanas, meses, anos, tempo que se esvai.
O tempo voa, mas entre suas asas, quantos dias vividos, quantas histórias e vida a desenrolar...
Encontros, desencontros, reencontros
Até que o dia sonhado enfim se torna dia acontecido
Chegando assim, de supetão, atropelando os dias planejados pelo imprevisto
E eu que era apenas uma aos poucos vou me dividindo – gerando em mim outro ser, não eu, alguém que ainda não conheço, mas que já amo mesmo sem ver.
Um pulsar, nada mais.
Depois a descoberta!
Crescimento e primeiros sinais.
As formas aumentam e se torna presença física.
Esse outro vai ficando mais forte, mais presente e as longas horas em sua companhia se tornam reais – sim, não estou mais só!
Apenas alguns dias me separam desse novato já tão meu.
“Quem é como Deus?”, esse é seu nome!
Ninguém meu filho! Ele é o “Eu Sou”, não há outro como Ele.
E as horas de espera se tornam puro deleite.
Sonhos novos.
Projetos novos.
Ideias novas.
Não sou mais a mesma de antes.
Também ganhei um novo nome.
A chegada dele também me faz nascer – uma mãe a mais no mundo.
Te espero para caminhar contigo mais um trecho dessa estrada.

E que a viagem seja longa! 

Um Novo Jardim

LIVRO: Um Novo Jardim (2014) 
SINOPSE: O livro é um Ensaio Pessoal de transformação, onde a atriz, jornalista e escritora Karina Müller relata sua experiência de viagem durante uma crise de depressão, em 2004. Inspirada a ir sozinha para o Chile de ônibus, a escritora encontrou, além da Cordilheira dos Andes, uma nova forma de enxergar seu mundo em preto e branco, o amor de Deus e a capacidade de se alegrar com as coisas simples. O livro foi editado de forma independente e está a venda com a escritora através do e-mail: karinamuller@yahoo.com.br ou na livraria Luz e Vida, no centro de São José dos Campos. 
Em breve novas publicações...



As janelas